Dois homens e Uma Justificação

o-fariseu-e-o-publicanoNo Evangelho escrito pelo médico e historiador Lucas, no capítulo 18, versículos 10 ao 14, encontra-se narrada a conhecida história de dois homens e seu comportamento ao adentrarem no templo, como elemento revelador do conteúdo que preenchia o interior de cada um.

O primeiro, um fariseu (palavra que descreve um integrante de um dedicado grupo religioso), orava “consigo mesmo”, disse Jesus. Em sua oração, procurava demonstrar para Deus as qualidades religiosas que possuía e a superioridade que pensava ter em relação aos outros, em razão de tais qualificações.

O segundo, um publicano (palavra que descreve um funcionário público, encarregado de arrecadar impostos para Roma), manteve-se no fundo do templo. E, batendo no peito, dizia “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”.

Ao refletir sobre essa passagem, fico a indagar o que proporcionou a produção subjetiva expressa em suas orações e só posso chegar à conclusão que foi o conteúdo linguístico ao qual ambos foram expostos.

Um integrava o grupo religioso que, por alcançar uma prática até louvável, começou a exaltar àqueles que juntavam-se a eles pela simples adesão, independentemente de uma transformação interior.

O outro estava naquele grupo que era alvo de certo preconceito por parte da sociedade e era exposto às suas debilidades e até acusado de coisas que não praticava.

O primeiro exposto a elogios e autoconfiança, chegando quase ao ponto de elogiar Deus por ter tal servo. O segundo exposto a palavras que lhe faziam perceber sua necessidade de superar-se e humilhar-se a Deus sequer ousa levantar a cabeça para falar ao mesmo Deus. Este voltou para casa aceitável e justificado por Deus, disse Jesus.

Se você me acompanhou até aqui, quero trazer-lhe para os nossos dias e para nossos templos. Ouça as afirmações, orações e canções dizendo:

“Dê liberdade ao Espírito de Deus”.

“Deixa Deus te tocar.”

“Doce Espírito és bem-vindo aqui.”

“Jesus, pode entrar. A casa é tua.”

Na grande maioria, frases como estas surgem de músicas feitas por gente que tem o mesmo sentimento, a mesma produção subjetiva que o fariseu.

Ocorre que essas músicas são repetidas e suas frases reproduzidas nas próximas canções, nos expondo continuamente a elas até criarem em nós sentimentos, percepções e uma cultura destoantes da realidade bíblica, da pureza doutrinária e das verdadeiras características do relacionamento do homem com o verdadeiro Deus.

Não é fácil tratar do tema e refutar o conteúdo dessas músicas porque as pessoas já as cantaram tantas vezes e agora fica difícil admitir que a letra não está adequada.

Mas, o faço com grande esforço, sabendo da rejeição a tais críticas e até da acusação de ser eu o fariseu, porque sei da influência que a música exerce na produção subjetiva e intelectual do indivíduo a ela exposto. Tanto que o reformador Martinho Lutero disse que o sucesso da Reforma não era devido aos seus escritos, mas aos 37 hinos que “carregaram aos quatro cantos suas doutrinas”.

Um dos posts que menos gosto em meu blog é Pequena Reflexão Sobre a Música Raridade. Justamente em razão da grande rejeição que sofri das pessoas próximas. Mas, por incrível que pareça, é o mais acessado, aproximando-se de 2.000 (dois mil) acessos somente neste ano de 2018.

Assim, retomo a crítica a tais hinos, os quais acabam virando pregações e orações que contrariam claramente o conteúdo bíblico e a doutrina saída da boca do próprio Senhor Jesus.

Se criamos essa “figura cultural” de que o templo seria uma ‘casa de Deus”, onde os seus filhos se reúnem para louvá-lo e ter comunhão, como seremos nós os que vamos dizer a ele “Senhor, seja bem-vindo aqui”, e “pode entrar?!

Estamos tão ensoberbecidos que já estamos “dando permissões” a Deus e não percebemos.

Não estamos sendo piores que o fariseu? E, ao invés disso, não deveríamos, a exemplo do publicano, nutrir um sentimento de humilhação e orar, pregar e cantar “Senhor, que eu seja bem-vindo em tua casa e que tenhas misericórdia de mim”?!!

Mais uma vez, vai lhe parecer implicância, chatice e bobagem minha. Mas, lhe convido à reflexão, em humildade e oração.

A quem estamos nos assemelhando em nossos procedimentos em relação a Deus? Ao fariseu autoconfiante, exaltado e soberbo, ou ao publicano humilde e suplicante?

Lembremos de que apenas um desses homens foi justificado ou aceito em sua oração a Deus.

Haga de HaroldoF. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos, Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

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Dois Pregos

cr-arte-marcus-levine-01As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas pelo único Pastor. Eclesiastes 12:11

Todos os bons pregadores que nos têm dado pão do céu, a palavra, e forte testemunho de vida com Deus, têm sido repetitivos em firmar, além da excelência e da imprescindibilidade da palavra, dois pregos essenciais à sustentação de uma vida espiritual bem firmada e poderosa em Deus:

a) A indispensabilidade de uma vida de oração;

b) A frequência à Escola Bíblica Dominical.

Mas, é assustador verificar que a imensa maioria dos crentes desprezam o que o Senhor fala por meio de seus profetas [II Crônicas 20:20], achando que vai se cumprir a parte da mensagem que fala da benção, sem passar pelo caminho da obediência à orientação que o Senhor entrega por meio desses oráculos.

Tais cristãos tapam seus ouvidos a essa parte da mensagem que é martelada [Jeremias 23:29] congresso após congresso, evento após evento. Isso, para não falar dos mensageiros locais que têm menos atenção ainda [Lucas 4:24].

Ao “planejarem” suas vidas congregacionais, ou seja, que cultos frequentar, automaticamente, desprezam e desconsideram os momentos de oração e de estudo da palavra, dentre eles o de mais apelo nos lábios de todo e qualquer homem ou mulher de Deus que nos são enviados com extraordinárias mensagens: a Escola Bíblica Dominical.

Não meus irmãos, não seja assim!

Se não atentarmos aos conselhos de Deus, saídos da boca de sues profetas, como prosperaremos nessa jornada que é espiritual, sendo, pois, que nossas armas não podem ser carnais, mas espirituais e poderosas em Deus [2 Corìtios 10:4-5]?

Se rejeitarmos à palavra que o Senhor fala por meio de seus profetas, os quais Ele levantou para nossa edificação [Efésios 4:11], jamais seremos edifício bem firmado para morada do Senhor.

Assim, cabe a nós atentarmos mais diligentemente a esse insistente chamado para fixarmos os dois pregos de firme sustentação à nossa casa espiritual, comparecendo à próxima reunião de oração, bem como preparando o coração para a próxima Escola Bíblica Dominical e à ela não faltarmos.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia. 

Sobre a Oração – Orareis Assim

imagesPor que todo cristão deve orar?

Primeiro porque Jesus orava continuamente e nos ordenou: Orareis (Mateus 6:9).

Oramos porque agradou ao Espírito Santo gravar nas Linhas Eternas da Escritura Sagrada, e isso de forma abundante, o comando positivo para que oremos, “sem cessar”, “em todo o tempo”, com “toda oração e súplica”, “vigiai, pois, em todo o tempo, orando”. Jesus ensinou Seus discípulos a orarem sempre e nunca desfalecer (1 Tessalonicenses 5:17; Efésios 6:18; Lucas 21:36; 18:1; Salmos 86:3; 2 Timóteo 1:3; Atos 6:4). [William Teixeira]

A oração particular é o teste de nossa sinceridade, o indicador de nossa espiritualidade, o principal meio de crescimento na graça. A oração particular é a única coisa, acima de todas as demais, que Satanás busca impedir, pois ele bem sabe que se ele puder ser bem sucedido neste ponto, o Cristão falhará em todos os outros. [ Arthur Walkington Pink]

A fraqueza dos cristãos do nosso tempo reflete a fraqueza das nossas vidas de oração. As frequentes idas de nossas almas ao chão equivalem inversamente à mesma frequência em que os nossos joelhos não vão ao chão. [William Teixeira]

E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. [Jeremias 29:13] A sinceridade é parte da oração, porque sem ela Deus não a considera como tal.

Todavia, muitos não sabem como e o que é orar e a confundem com as rezas (repetição de orações feitas por outrem e registradas através da tradição).

O mestre da oração, Jesus, que orava em todos e para todos os momentos de sua vida, nos ensina os rudimentos dessa prática:

a) O que fazer – Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. [Mateus 6:6]

b) O que não fazer – E, orando, não useis de vãs repetições*[as rezas de que falei], como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. [Mateus 6:7]

c) O conteúdo – Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome [ter em mente a consolação de um pai celeste e santo que como tal deve ser imitado]; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu [desejo da manifestação do Reino de justiça e paz, pela revelação da vontade dEle]; O pão nosso de cada dia nos dá hoje [buscar a provisão material e espiritual]; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores [buscar e oferecer perdão]; E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal [buscar ser livre do mal – ativo e passivo]; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre [reverência e adoração]. Amém. [Mateus 6:9-13]

Portanto, oração não é, apenas, busca pela solução dos problemas materiais, ainda que é um dos elementos dela. Orar é buscar os valores de Deus para o nosso ser. É “construir-se novo”, pela renovação do entendimento [Romanos 12:2]; é fazer que o intelecto dê frutos [I Coríntios 14:14].

Sejamos renovados e bem-aventurados em oração, experimentando a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.