Pequena Reflexão Sobre a Música Raridade

Lembremo-nos, inicialmente, que somos amados de Deus, mas todo e qualquer louvor por isso reside nEle mesmo. Além disso, seremos algo extraordinário, mas “…ainda não é manifestado o que havemos de ser [I Jo 3].

Consideremos, também, o que diz Isaias [29:9-12] sobre a possibilidade de pessoas tornarem-se “cegas” por causa do pecado e impossibilitadas de “ler o Livro”:

“Tardai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte.

Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono [consequência do pecado], e fechou os vossos olhos, vendou os profetas, e os vossos principais videntes.

 Por isso toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não posso, porque está selado.

Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não sei ler.”

Passemos à música, então: tirando-a-venda

Não consigo ir além do teu olhar / Tudo o que eu consigo é imaginar / A riqueza que existe dentro de você / O ouro eu consigo só admirar / Mas te olhando eu posso a Deus adorar / Sua alma é um bem que nunca envelhecerá

Até aqui, considerando que ela fosse cantada para um crente muito fiel, não deixaria de ser meia- verdade, mas peca no “louvor” ao ser humano. Em lugar algum da bíblia se achará isso. Ao contrário, muito ao contrário: a mensagem bíblica sempre mostra o homem carente da “complementação” divina em sua existência, e foi Jesus mesmo quem ensinou que bem aventurado é aquele que sente esta constante dependência.

O antropocentrismo (homem é o centro) é explícito nesta canção, como em quase todas essas músicas que têm pretensão ser louvor a Deus, mas não conseguem colocá-lo no centro (Teocentrismo).

Quando Paulo fala que temos um tesouro (Cristo resplandecendo em nós – 2 Co 4.6-7) ele diz que o vaso (eu, o indivíduo) é de barro porque a excelência do poder é de Deus, NÃO de nós.

O pecado não consegue esconder / A marca de Jesus que existe em você / O que você fez ou deixou de fazer / Não mudou o início, Deus escolheu você

Nessa parte, uma total apologia ao pecado. Um incentivo a pecar, dizendo que ele não tem consequência nenhuma. Como pode tal barbaridade? 

É como se não precisasse haver aversão nenhuma ao pecado.

A bíblia mostra, inúmeras vezes, que o pecado pode “não mudar o início”, mas muda o final.

Mesmo que possamos desfrutar sim da graça e perdão de Cristo, o preço foi gigante. A terra tremeu, o sol se escureceu pelo sofrimento e dor do Justo.

Paulo diz:  Éramos “mortos em nossos delitos e pecados” [Ef 2:1]

Olhemos o que o irmão do Senhor diz: “E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne”  [Jd 23]. Isso é ódio ao pecado!!

Como cantaremos uma insignificância do pecar?!!

Sua raridade não está naquilo que você possui / Ou que sabe fazer / Isso é mistério de Deus com Você

Como disse inicialmente, “somos realmente muito amados por Deus”, aqueles que aceitam seu sacrifício. Deus NÃO ama o pecador [Sl 11:5]!!

Ele nos amou primeiro porque, na sua presciência, soube que alguns de seus inimigos aceitariam seu perdão. Do contrário, não enviaria seu filho sem objetivo (Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo – I Pe 1:2)

Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor

O texto bíblico [II Co 3:18] se refere a nós “refletindo como um espelho a GLÓRIA do Senhor” (Não a imagem) e traz como objetivo uma transformação contínua que, diga-se de passagem, é interrompida pelo pecado tão minimizado na letra da música.

Não chore se o mundo ainda não notou

Cristão “chorando porque o mundo AINDA não notou” que ele é precioso?

Olhem o que a bíblia diz em João 1:10 e 15:18-19:

“Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.”

“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.”

Dispensa comentários.

Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor / Você é precioso, mais raro que o ouro puro de Ofir

Se alguém pretende ser mais precioso e raro que o ouro de Ofir, aguarde pela tribulação, cantando músicas que vituperam e contradizem a palavra de Deus.

Isaias 13:9-12:

“Eis que vem o dia do Senhor, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadoresPorque as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não resplandecerá com a sua luz. E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniquidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos. Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir.”

Se você desistiu, Deus não vai desistir / Ele está aqui pra te levantar se o mundo te fizer cair

 O que você disse? What did you say? Was sagen? Que dire? 

II Cr 15:1-4: 

“Então veio o Espírito de Deus sobre Azarias, filho de Odede. E saiu ao encontro de Asa, e disse-lhe: Ouvi-me, Asa, e todo o Judá e Benjamim: O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixaráE Israel esteve por muitos dias sem o verdadeiro Deus, e sem sacerdote que o ensinasse, e sem lei. Mas quando na sua angústia voltaram para o Senhor Deus de Israel, e o buscaram, o acharam.

Se quiserdes, ouçam o que vos diz a bíblia sagrada, não eu.

Deixai de cantar auto justificação aos pecados, confessai ao Senhor e buscai-o, pois, assim, o acharão. Do contrário, continuareis cantando músicas feitas por cegos iguais aos que Isaías profetizou, os quais “não sabem ler o Livro”.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia. 

Ps: Por mais “escandaloso” que possa parecer a alguns, há músicas que não tem nenhuma pretensão de ser intitulada cristã (chamamos de música do mundo) , mas que não “atentam” contra a palavra de Deus.

Natal – Quem nasceu e por que nasceu

Ao ler tantas mensagens de gente contagiada pela emoção do evento mundial nominado

Pastores no Campo

 … E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito. Lucas 2:7-20

natal, também desejei escrever a minha.

Mas o que dizer sobre esse momento?

Vamos às escrituras sagradas e, nela, ao capítulo dois, versículos 7 ao 20, do livro de Lucas, já que, além de médico, era historiador e procurou narrar com riqueza de detalhes o acontecido.

A primeira percepção que temos é que a maior dádiva de Deus à humanidade não surgiu nos palácios, dentre os sábios, nem entre luzes e glórias terrenas (v7).

Assim, entendamos que o Senhor não se serve do sistema que domina esse mundo (o qual disse estar sob o principado – governo – do maligno) para realizar seus propósitos.

Portanto, é mais que certo que, na infinita maioria das “festas de natal”, não há lugar para um menino filho de carpinteiro e de origem na vontade do Espírito Santo. Seu lugar, assim como a maioria das “coisas” de Deus, é no desprezo, abandonadas à insignificância de uma manjedoura (recipiente destinado a servir alimento aos animais).

Também, é interessante observarmos a quem os anjos foram enviados a anunciar o nascimento e refletir sobre a possível razão: simples pastores que trabalhavam numa árdua jornada noturna, a qual não foi em dezembro, visto que, hoje, num dos invernos mais quentes dos últimos anos, a temperatura daquela região foi de 5 a 15 graus; e pastores não levariam seus rebanhos a pastar em condições, provavelmente, ainda piores.

Com certeza, se esse evento ocorresse hoje, a notícia na TV seria de que um grupo de ignorantes e analfabetos trabalhadores teve uma alucinação coletiva, capaz de lhes causar certa histeria. O que não pense ter sido diferente à época.

A razão da escolha de pessoas tão simples, tomando novamente a bíblia, para interpretar a bíblia, é que se tal notícia fosse dada entre ricos, nobres, pessoas de alta significância para a sociedade, ela não seria tão relevante, pelo motivo exposto por Jesus: os ricos já receberam sua consolação (Lc 6:24).

Só pessoas pobres no espírito (não necessariamente pobre no sentido financeiro), indivíduos que não acham em si mesmo motivo de exaltação, que deveria ser o caso daqueles homens, alegram-se com a manifestação das obras de Deus, pois que são singelas e desprovidas de luzes terrenas, visto que “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” – I Co 1:27).

Não obstante toda a glória e sobrenaturalidade da anunciação do ocorrido, a centralidade do episódio está na mensagem contida no versículo 11: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.

Quem havia nascido era o Salvador.  E alguém com tal atributo só tem significado num contexto de existência de indivíduos carentes de serem salvos. Então, presume-se logo que havia/há pessoas em estado de perigo, na eminência de perecer irremediavelmente.

Mas, este não era mais um salvador ou qualquer salvador, era o Cristo (Ungido, Enviado). Era aquele prometido e esperado desde a queda da humanidade, em Adão, quando Deus disse: Da semente da mulher nascerá um […] (Gn 3:15).

Porém, alguém com capacidade de salvar e tendo sido enviado pelo próprio Criador, só poderia/pode exercer esse ofício sendo Senhor. O ladrão que foi salvo em seu último instante de vida percebeu isso e pôde expressar: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino” (Lc 23:42).

Portanto, Ele não salva, Ele não é o Cristo, de ninguém que o receba por menos que Senhor de sua vida. Aquele que reina e determina os caminhos a serem trilhados.

Quem recebe/compreende essa mensagem do céu, não fica inerte, não acha que o que aconteceu é apenas um evento comovente, mas “sai” a buscar o Cristo, a conhecê-lo de perto (v15). Como no passado convidara o profeta: “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6:3).

Além disso, como mais tarde o próprio Cristo disse: quem o busca, há de encontrar. Por isso, a narrativa diz que “vendo-o, divulgaram a palavra” (v17).

Dessa forma, o desfecho dessa história é tão contagiante e expressa uma elevação na alma e na existência daqueles que foram personagens da mesma: “E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito” (v20).

De tudo até aqui exposto, só posso inferir que a maioria das mensagens natalinas, que recebemos ou lemos nesse período, são desprovidas do autêntico conteúdo do natal-de-Jesus, o nascimento do Salvador, que é o Cristo e Senhor.

São mensagens que revelam comoção e emotividade decorrentes da grandeza de um evento que iniciou tão singelo, mas que veio a ser causa da divisão da história da humanidade, entre o antes e o depois dele. Mas não é a mensagem de quem “participa” do ocorrido.

Se quiseres integrar rol dos partícipes dessa epopeia, basta receber/aceitar a mensagem do nascimento daquele que Salva por que é o Cristo e que só o é para aqueles que o colocam como Senhor de suas vidas.

Então, se assim o fizeres, viverás o verdadeiro feliz-natal, louvando e glorificando a Deus em todos os dias em todos os seus caminhos, por conta das maravilhas que se sucederão, conforme tudo que lhe será dito pelo Espírito Santo e não pelo espírito do natal.

 

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.