Teologia do Sede (Im)Perfeito

Sara riAo ler o Versículo Diário (02.10.2019) da lição da Escola Bíblica Dominical da CPAD: “Terça – Gn 18.12: Deus abençoa homens e mulheres imperfeitos” e, conferindo a afirmativa da revista (Deus abençoa os imperfeitos) com o conteúdo do versículo bíblico “Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho?”, me subiu à mente a reflexão e desceu ao coração a indignação contra essa moda que definirei como “Apologia da Teologia da Imperfeição”.

O resumo do versículo de hoje, “Deus abençoa homens e mulheres imperfeitos”, me deixa intrigado com essa “Teologia” da apologia aos imperfeitos.

Ninguém é abestado (nem eu), para dizer num termo cearense, de pensar ou cogitar em si mesmo ser perfeito e por isso estar apto a receber bençãos de Deus.

Mas, essa Teologia do IMPERFEITO, essa insistência na imperfeição humana em nosso meio tem sido usada demais para uma apologia de que vidas erradas podem ser abençoadas por Deus.

Olhemos o versículo:
Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho? Gênesis 18:12

Porque, num versículo desses, o destaque é a imperfeição de Sara ao questionar rindo?

Na verdade, o que há, me parece ser, é um misto de questionamento com alegria da possibilidade.

Isso é uma reação inicial, para mim, de NORMALIDADE humana que, depois, foi superada pela fé.

Olhemos o que diz Hebreus 11 sobre essa Sara e esse evento:

Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido.

Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar. [Hebreus 11-11-12]

Eu, sinceramente, gostaria muito de parar de ouvir essa teologia da justificação do homem pecador (não estou falando do que ignora o evangelho) em nome da falibilidade humana.

E alguém já pensou “lá vem o Haroldo com suas chatices”. Respeito seu pensamento decorrente da ignorância bíblica.

Vejamos o que a bíblia diz sobre a (im)perfeição humana:

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. [Mateus 5:48]

Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco. [2 Coríntios 13:11]

Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra. [2 Timóteo 3:17]

Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma. [Tiago 1:4]

Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. [Filipenses 3:12]

E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; [Colossenses 2:10]

Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; [1 Coríntios 2:6]

Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará [Filipenses 3:15]

Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. [João 17:23]

Irmãos, não obstante o apóstolo Paulo dizer Não que seja perfeito…, o contexto indica que ele chegou sim a um nível de “perfeição”, m as que ele prossegue para o alvo que é chegar à varonilidade (hombridade) de Cristo.

No mais, há na Bíblia uma doutrina do aperfeiçoamento humano em Cristo e um mandamento para que sejamos perfeitos, além de várias afirmativas, como podeis ver acima, de que somos/devemos ser, em certo nível, perfeitos.

PORQUE, então essa “teologia” constante da imperfeição dos membros da igreja?

Me desculpem os que se sentirem atingidos, mas ao que me parece, trata-se de auto justificação (consciente ou inconsciente) de pregadores e ensinadores que não vivem a vida ética, reta, justa e piedosa que deveriam viver, visto que essa insistente mensagem da “aceitação” de Deus à imperfeição humana contraria a doutrina bíblica com mandamento e instigação à perfeição.

Obs.: Esta “perfeição” que devemos buscar é no nível do humano. Não em comparação a Deus.

 

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos, Advogado, Pós-graduando em Filosofia da Contemporaneidade.

A Sobriedade da Obra de Deus

 

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Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado.  [I Pe 1:18,19]

A mim, me parece lamentável que tenhamos que discutir, nos dias atuais, sobre o uso ou não de bebida alcoólica pelos cristãos, especialmente pelos obreiros. O vinho é impróprio aos que presidem [Pv 31.4].

Deveríamos estar discutindo a verdadeira sobriedade da obra.

A vedação ao vinho, no caso do Levítico 10:9 e de outras passagens do Antigo Testamento, é sombra da sobriedade que deve repousar sobre a vida cristã e, principalmente, do obreiro.

Cosmovisão embasada na Bíblia, fala temperada, autenticidade no ser, moderação em tudo, forma contida de ser que demonstra a verdadeira santidade, irresignação contra o pecado. Esses são alguns aspectos da sobriedade que o Senhor espera daqueles que se nomeiam seus filhos [I Pedro 1:15,16].

Quando falta isso, as pessoas agem como bêbados que dizem e fazem qualquer coisa, como se os outros estivessem perdido o senso e o discernimento, assim como elas perderam.

O bêbado fala qualquer coisa e age de qualquer modo, sem temor, nem vergonha dos seus atos porque a consciência da percepção alheia e das consequências lhe foi afastada pelo álcool.

Assim têm agido alguns crentes, obreiros e até denominações inteiras, seguindo a “embriagues” de seus líderes.

Para mim, é insuportável ouvir o “evangelho” que alguns pregam e vivem na atualidade, fazendo de Jesus um garçom de uma gente metida, exigente, cheios de manhas (se isso, se aquilo). Alguns, petulantes que não respeitam ninguém, especialmente os mais velhos.

Homens autonomeados apóstolos, pessoas que não participam de nada, se não for ele mesmo o realizador ou aquele que vai aparecer como o “humilde servo”.

TODOS OS VERSÍCULOS ABAIXO TRATAM DA SOBRIEDADE DE QUE ESTOU FALANDO. NÃO DE ÁLCOOL:

1 Tessalonicenses 5:6
1 Tessalonicenses 5:8
1 Pedro 4:7
Tito 2:2
1 Timóteo 3:2
2 Timóteo 4:5
1 Pedro 1:13
1 Pedro 5:8

Vejamos o que diz a doutrina dos apóstolos:

Aos presbíteros [Aqui é todo ministro do evangelho], que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero [Pedro] com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:

Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;

Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.

E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.

Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte;

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;

Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.

E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça.

A ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém. [1 Pedro 5:1-11]

É essa a verdadeira mensagem da sobriedade que Deus requer de seus filhos: Uma completa separação entre o santo e o profano, por meio de uma consciência viva, sóbria e santa.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

Sobre a Ética Cristã – O Evangelho Produz Transformação no Caráter

integridad-etica-y-valoresPorque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras [Tito 2:11].

A ética de uma pessoa, sua produção intelectual exposta em suas escolhas, ações e reações, decorre do caráter que ela tem. Este, por sua vez, é o produto do temperamento + a personalidade.

Certa feita, ouvi um evangélico dizer que a conversão não altera o temperamento da pessoa. Outros dizem “eu sempre fui assim”, admitindo que sua personalidade não foi afetada pelo fato de tornar-se cristão.

Ora, não é assim. Talvez essas pessoas não tenham passado pelo novo nascimento (João 3:3-8 – Processo de arrependimento e conversão, mudança de direção, construção de um novo eu). Não se arrependeram do que foram até conhecer Cristo, se é que o conheceram. E vale ressaltar que não importa se você foi “bom” ou “mau”, é preciso se quebrantar diante de Deus, em arrependimento. Todos pecaram [Romanos 3:23]!

Explicando a grosso modo, tanto o temperamento, que é herdado dos pais, quanto a personalidade, que é o “amontoado” das escolhas que agregamos ao nosso intelecto, a nossa subjetividade, devem obrigatoriamente ser transformados pelo novo nascimento.

Em relação ao temperamento, ao nascermos de novo, a influência que passamos a trazer conosco não será mais a de nossos pais, mas do Espírito Santo [2 Coríntios 5:17], porquanto o amor de Deus está derramado por Ele em nosso coração [Rm 5.5].

Por sua vez, a personalidade, que na sua maioria se achará falha ao nos arrependermos, será corrigida e aperfeiçoada pela palavra de Deus, as sagradas escrituras [Tiago 1:21].

Sobre a personalidade, o apóstolo Pedro nos ensina: Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre [I Pe 1:23].

Assim, ao depararmos com Cristo e sua palavra todas as nossas certezas, nossos objetivos e tudo que “conhecíamos” até ali perde o sentido e começamos a construir um novo ser que é segundo às novas escolhas que lhe são propostas: Aprendei de mim [Mateus 11:29].

Portanto meu amigo leitor, ser cristão é nascer de novo do Espírito Santo e da Palavra. Sendo, portanto, um resultado óbvio o novo temperamento e a nova personalidade, os quais constituirão um caráter de filhos de Deus [Ef 5.1] a ser demonstrado nas escolhas subjetivas aplicadas à prática, demonstrando uma vida ética que é eficaz ao reconhecimento de todos [Provérbios 3:4 – Lucas 2:52].

Boa e significante parte da ação ensinadora da graça, na vida de quem de fato se arrependeu, está descrita nas palavras de Paulo aos Efésios, no capítulo 4, versículos 22 ao 32:

Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.

Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.

Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.

Não deis lugar ao diabo.

Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.

Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.

E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.
Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

O texto que lemos inicialmente, demonstra que a graça (favor de Deus sentido no coração arrependido) ensina a renunciar à impiedade e às paixões que conduzem loucamente esse mundo, bem como, conhecermos e vivermos uma vida sóbria, justa e completa, sendo este o único modo ético-cristão de viver.

Assim, compete a nós seguirmos firmemente o conselho de Cristo que nos manda “trabalhar pela comida permanece para a vida eterna” [João 6:27], ou seja, buscarmos o seu Espírito Santo, em oração [Mateus 7:7] e aprendamos dEle que é a palavra viva, examinando as escrituras. Isso nos proporcionará a produção da verdadeira ética cristã e de uma vida gratificante de viver em si mesma.

Haga de Haroldo


F. Haroldo de Sousa
– Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.