Dois homens e Uma Justificação

o-fariseu-e-o-publicanoNo Evangelho escrito pelo médico e historiador Lucas, no capítulo 18, versículos 10 ao 14, encontra-se narrada a conhecida história de dois homens e seu comportamento ao adentrarem no templo, como elemento revelador do conteúdo que preenchia o interior de cada um.

O primeiro, um fariseu (palavra que descreve um integrante de um dedicado grupo religioso), orava “consigo mesmo”, disse Jesus. Em sua oração, procurava demonstrar para Deus as qualidades religiosas que possuía e a superioridade que pensava ter em relação aos outros, em razão de tais qualificações.

O segundo, um publicano (palavra que descreve um funcionário público, encarregado de arrecadar impostos para Roma), manteve-se no fundo do templo. E, batendo no peito, dizia “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”.

Ao refletir sobre essa passagem, fico a indagar o que proporcionou a produção subjetiva expressa em suas orações e só posso chegar à conclusão que foi o conteúdo linguístico ao qual ambos foram expostos.

Um integrava o grupo religioso que, por alcançar uma prática até louvável, começou a exaltar àqueles que juntavam-se a eles pela simples adesão, independentemente de uma transformação interior.

O outro estava naquele grupo que era alvo de certo preconceito por parte da sociedade e era exposto às suas debilidades e até acusado de coisas que não praticava.

O primeiro exposto a elogios e autoconfiança, chegando quase ao ponto de elogiar Deus por ter tal servo. O segundo exposto a palavras que lhe faziam perceber sua necessidade de superar-se e humilhar-se a Deus sequer ousa levantar a cabeça para falar ao mesmo Deus. Este voltou para casa aceitável e justificado por Deus, disse Jesus.

Se você me acompanhou até aqui, quero trazer-lhe para os nossos dias e para nossos templos. Ouça as afirmações, orações e canções dizendo:

“Dê liberdade ao Espírito de Deus”.

“Deixa Deus te tocar.”

“Doce Espírito és bem-vindo aqui.”

“Jesus, pode entrar. A casa é tua.”

Na grande maioria, frases como estas surgem de músicas feitas por gente que tem o mesmo sentimento, a mesma produção subjetiva que o fariseu.

Ocorre que essas músicas são repetidas e suas frases reproduzidas nas próximas canções, nos expondo continuamente a elas até criarem em nós sentimentos, percepções e uma cultura destoantes da realidade bíblica, da pureza doutrinária e das verdadeiras características do relacionamento do homem com o verdadeiro Deus.

Não é fácil tratar do tema e refutar o conteúdo dessas músicas porque as pessoas já as cantaram tantas vezes e agora fica difícil admitir que a letra não está adequada.

Mas, o faço com grande esforço, sabendo da rejeição a tais críticas e até da acusação de ser eu o fariseu, porque sei da influência que a música exerce na produção subjetiva e intelectual do indivíduo a ela exposto. Tanto que o reformador Martinho Lutero disse que o sucesso da Reforma não era devido aos seus escritos, mas aos 37 hinos que “carregaram aos quatro cantos suas doutrinas”.

Um dos posts que menos gosto em meu blog é Pequena Reflexão Sobre a Música Raridade. Justamente em razão da grande rejeição que sofri das pessoas próximas. Mas, por incrível que pareça, é o mais acessado, aproximando-se de 2.000 (dois mil) acessos somente neste ano de 2018.

Assim, retomo a crítica a tais hinos, os quais acabam virando pregações e orações que contrariam claramente o conteúdo bíblico e a doutrina saída da boca do próprio Senhor Jesus.

Se criamos essa “figura cultural” de que o templo seria uma ‘casa de Deus”, onde os seus filhos se reúnem para louvá-lo e ter comunhão, como seremos nós os que vamos dizer a ele “Senhor, seja bem-vindo aqui”, e “pode entrar?!

Estamos tão ensoberbecidos que já estamos “dando permissões” a Deus e não percebemos.

Não estamos sendo piores que o fariseu? E, ao invés disso, não deveríamos, a exemplo do publicano, nutrir um sentimento de humilhação e orar, pregar e cantar “Senhor, que eu seja bem-vindo em tua casa e que tenhas misericórdia de mim”?!!

Mais uma vez, vai lhe parecer implicância, chatice e bobagem minha. Mas, lhe convido à reflexão, em humildade e oração.

A quem estamos nos assemelhando em nossos procedimentos em relação a Deus? Ao fariseu autoconfiante, exaltado e soberbo, ou ao publicano humilde e suplicante?

Lembremos de que apenas um desses homens foi justificado ou aceito em sua oração a Deus.

Haga de HaroldoF. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos, Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

Anúncios

Dois Pregos

cr-arte-marcus-levine-01As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas pelo único Pastor. Eclesiastes 12:11

Todos os bons pregadores que nos têm dado pão do céu, a palavra, e forte testemunho de vida com Deus, têm sido repetitivos em firmar, além da excelência e da imprescindibilidade da palavra, dois pregos essenciais à sustentação de uma vida espiritual bem firmada e poderosa em Deus:

a) A indispensabilidade de uma vida de oração;

b) A frequência à Escola Bíblica Dominical.

Mas, é assustador verificar que a imensa maioria dos crentes desprezam o que o Senhor fala por meio de seus profetas [II Crônicas 20:20], achando que vai se cumprir a parte da mensagem que fala da benção, sem passar pelo caminho da obediência à orientação que o Senhor entrega por meio desses oráculos.

Tais cristãos tapam seus ouvidos a essa parte da mensagem que é martelada [Jeremias 23:29] congresso após congresso, evento após evento. Isso, para não falar dos mensageiros locais que têm menos atenção ainda [Lucas 4:24].

Ao “planejarem” suas vidas congregacionais, ou seja, que cultos frequentar, automaticamente, desprezam e desconsideram os momentos de oração e de estudo da palavra, dentre eles o de mais apelo nos lábios de todo e qualquer homem ou mulher de Deus que nos são enviados com extraordinárias mensagens: a Escola Bíblica Dominical.

Não meus irmãos, não seja assim!

Se não atentarmos aos conselhos de Deus, saídos da boca de sues profetas, como prosperaremos nessa jornada que é espiritual, sendo, pois, que nossas armas não podem ser carnais, mas espirituais e poderosas em Deus [2 Corìtios 10:4-5]?

Se rejeitarmos à palavra que o Senhor fala por meio de seus profetas, os quais Ele levantou para nossa edificação [Efésios 4:11], jamais seremos edifício bem firmado para morada do Senhor.

Assim, cabe a nós atentarmos mais diligentemente a esse insistente chamado para fixarmos os dois pregos de firme sustentação à nossa casa espiritual, comparecendo à próxima reunião de oração, bem como preparando o coração para a próxima Escola Bíblica Dominical e à ela não faltarmos.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia. 

Sobre a Ética Cristã – O Evangelho Produz Transformação no Caráter

integridad-etica-y-valoresPorque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras [Tito 2:11].

A ética de uma pessoa, sua produção intelectual exposta em suas escolhas, ações e reações, decorre do caráter que ela tem. Este, por sua vez, é o produto do temperamento + a personalidade.

Certa feita, ouvi um evangélico dizer que a conversão não altera o temperamento da pessoa. Outros dizem “eu sempre fui assim”, admitindo que sua personalidade não foi afetada pelo fato de tornar-se cristão.

Ora, não é assim. Talvez essas pessoas não tenham passado pelo novo nascimento (João 3:3-8 – Processo de arrependimento e conversão, mudança de direção, construção de um novo eu). Não se arrependeram do que foram até conhecer Cristo, se é que o conheceram. E vale ressaltar que não importa se você foi “bom” ou “mau”, é preciso se quebrantar diante de Deus, em arrependimento. Todos pecaram [Romanos 3:23]!

Explicando a grosso modo, tanto o temperamento, que é herdado dos pais, quanto a personalidade, que é o “amontoado” das escolhas que agregamos ao nosso intelecto, a nossa subjetividade, devem obrigatoriamente ser transformados pelo novo nascimento.

Em relação ao temperamento, ao nascermos de novo, a influência que passamos a trazer conosco não será mais a de nossos pais, mas do Espírito Santo [2 Coríntios 5:17], porquanto o amor de Deus está derramado por Ele em nosso coração [Rm 5.5].

Por sua vez, a personalidade, que na sua maioria se achará falha ao nos arrependermos, será corrigida e aperfeiçoada pela palavra de Deus, as sagradas escrituras [Tiago 1:21].

Sobre a personalidade, o apóstolo Pedro nos ensina: Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre [I Pe 1:23].

Assim, ao depararmos com Cristo e sua palavra todas as nossas certezas, nossos objetivos e tudo que “conhecíamos” até ali perde o sentido e começamos a construir um novo ser que é segundo às novas escolhas que lhe são propostas: Aprendei de mim [Mateus 11:29].

Portanto meu amigo leitor, ser cristão é nascer de novo do Espírito Santo e da Palavra. Sendo, portanto, um resultado óbvio o novo temperamento e a nova personalidade, os quais constituirão um caráter de filhos de Deus [Ef 5.1] a ser demonstrado nas escolhas subjetivas aplicadas à prática, demonstrando uma vida ética que é eficaz ao reconhecimento de todos [Provérbios 3:4 – Lucas 2:52].

Boa e significante parte da ação ensinadora da graça, na vida de quem de fato se arrependeu, está descrita nas palavras de Paulo aos Efésios, no capítulo 4, versículos 22 ao 32:

Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.

Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.

Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.

Não deis lugar ao diabo.

Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.

Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.

E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.
Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

O texto que lemos inicialmente, demonstra que a graça (favor de Deus sentido no coração arrependido) ensina a renunciar à impiedade e às paixões que conduzem loucamente esse mundo, bem como, conhecermos e vivermos uma vida sóbria, justa e completa, sendo este o único modo ético-cristão de viver.

Assim, compete a nós seguirmos firmemente o conselho de Cristo que nos manda “trabalhar pela comida permanece para a vida eterna” [João 6:27], ou seja, buscarmos o seu Espírito Santo, em oração [Mateus 7:7] e aprendamos dEle que é a palavra viva, examinando as escrituras. Isso nos proporcionará a produção da verdadeira ética cristã e de uma vida gratificante de viver em si mesma.

Haga de Haroldo


F. Haroldo de Sousa
– Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

Sobre a Oração – Orareis Assim

imagesPor que todo cristão deve orar?

Primeiro porque Jesus orava continuamente e nos ordenou: Orareis (Mateus 6:9).

Oramos porque agradou ao Espírito Santo gravar nas Linhas Eternas da Escritura Sagrada, e isso de forma abundante, o comando positivo para que oremos, “sem cessar”, “em todo o tempo”, com “toda oração e súplica”, “vigiai, pois, em todo o tempo, orando”. Jesus ensinou Seus discípulos a orarem sempre e nunca desfalecer (1 Tessalonicenses 5:17; Efésios 6:18; Lucas 21:36; 18:1; Salmos 86:3; 2 Timóteo 1:3; Atos 6:4). [William Teixeira]

A oração particular é o teste de nossa sinceridade, o indicador de nossa espiritualidade, o principal meio de crescimento na graça. A oração particular é a única coisa, acima de todas as demais, que Satanás busca impedir, pois ele bem sabe que se ele puder ser bem sucedido neste ponto, o Cristão falhará em todos os outros. [ Arthur Walkington Pink]

A fraqueza dos cristãos do nosso tempo reflete a fraqueza das nossas vidas de oração. As frequentes idas de nossas almas ao chão equivalem inversamente à mesma frequência em que os nossos joelhos não vão ao chão. [William Teixeira]

E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. [Jeremias 29:13] A sinceridade é parte da oração, porque sem ela Deus não a considera como tal.

Todavia, muitos não sabem como e o que é orar e a confundem com as rezas (repetição de orações feitas por outrem e registradas através da tradição).

O mestre da oração, Jesus, que orava em todos e para todos os momentos de sua vida, nos ensina os rudimentos dessa prática:

a) O que fazer – Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. [Mateus 6:6]

b) O que não fazer – E, orando, não useis de vãs repetições*[as rezas de que falei], como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. [Mateus 6:7]

c) O conteúdo – Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome [ter em mente a consolação de um pai celeste e santo que como tal deve ser imitado]; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu [desejo da manifestação do Reino de justiça e paz, pela revelação da vontade dEle]; O pão nosso de cada dia nos dá hoje [buscar a provisão material e espiritual]; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores [buscar e oferecer perdão]; E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal [buscar ser livre do mal – ativo e passivo]; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre [reverência e adoração]. Amém. [Mateus 6:9-13]

Portanto, oração não é, apenas, busca pela solução dos problemas materiais, ainda que é um dos elementos dela. Orar é buscar os valores de Deus para o nosso ser. É “construir-se novo”, pela renovação do entendimento [Romanos 12:2]; é fazer que o intelecto dê frutos [I Coríntios 14:14].

Sejamos renovados e bem-aventurados em oração, experimentando a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

A (Não)Depressão de Elias (Texto enviado à Casa Publicadora das Assembleias de Deus)

EliasCOMENTÁRIO DE UM PSICÓLOGO EM MINHA PUBLICAÇÃO ORIGINAL (01/2013) : 

“Caro colega,e irmão:  Comungo do mesmo pensamento exposto acima acerca do profeta Elias. Sou Psicólogo clínico e professor da EBD. Jamais ensinarei que Elias esteve em depressão, pois não há dados suficientes nos textos bíblicos que apoiem tal ideia. Grato.”

 

Uma temática que vem permeando algumas lições de Escola Bíblica Dominical – EBD nos últimos anos, da qual humildemente (se é que há em mim alguma humildade) quero manifestar minha discordância, é a afirmação de que Elias estaria em depressão no evento do capítulo 19 de I Reis.

Inicialmente, falarei um pouco do que se conhece (ou se desconhece) sobre depressão e, depois, dos argumentos porque não acredito num quadro de depressão na vida de Elias.

 

DEPRESSÃO  

Clinicamente, a única afirmação exata sobre o tema é que não se sabe a causa, nem existe cura, mas em face de uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células e outros processos que ocorrem dentro das células nervosas, os quais também estão envolvidos, a medicina desenvolveu certos tratamentos para atenuar os efeitos e que podem até ajudar no desaparecimento da doença.

Todavia, não se sabe a causa e, consequentemente, não se tem a cura. Eles dizem que a cura depende apenas da pessoa.

Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão.

É verdade que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética.

A depressão não é simplesmente um momento de tristeza, algo normal para todas as pessoas. É um estado que realmente interfere no próprio organismo e nas relações do indivíduo com o trabalho, lazer e família.

Sintomas  mais comuns:

  Sentimentos persistentes de tristeza, angústia ou de vazio.

  Perda de interesse ou prazer nas atividades, incluindo sexo.

  Sentimentos de culpa, desesperança ou pessimismo.

  Irritabilidade ou perda de paciência.

  Cansaço, fadiga ou falta de energia.

  Dificuldades de concentração ou para lembra de pequenos detalhes.

  Dificuldade de tomar decisões, insegurança.

  Insônia, sono fragmentado ou sono não restaurador.

  Sonolência diurna.

  Excesso ou redução do apetite.

  Pensamentos sobre suicido.

  Dores persistentes que não melhoram com o tratamento. Incluindo dores de cabeça, pelo corpo e no estômago.

PORQUE DISCORDO DESTA ALEGAÇÃO DE QUE ELIAS TEVE DEPRESSÃO

Aqui, quero destacar que, além de estudar bastante o tema, pois também tive que aprender muito sobre o assunto para ajudar dependentes químicos, tenho experiências diretas com pessoas depressivas, em minha atividade profissional junto ao INSS, onde atendi, durante quatro anos, inúmeras pessoas com este problema.

Também, no período em que fui pastor de igreja em São Paulo, tive que tratar muito de perto com um caso de depressão profunda acompanhada de síndrome do pânico, no qual tive que levar a pessoa para morar em minha casa (ela voltou à vida normal), visto que verificava muitos erros da parte das pessoas que tentavam ajudar. Inclusive dos médicos (Não me aterei a explicar este ponto).

Quanto a Elias, é verdade que apresentou um, ou podemos considerar  até mais, dos sintomas da depressão, como desânimo e até o desejo de morrer, mas daí a afirmar que o mesmo estava em depressão é, para mim, dizer o que a bíblia não diz.

Na verdade, entendo que Elias e qualquer crente, seja ele membro ou pastor podem chegar a um quadro de depressão. A bíblia afirma que Elias era homem SUJEITO às mesmas emoções que nós, mas não acometido de nenhuma emoção pela qual possamos qualificá-lo como depressivo.

Na prática, as pessoas ficam depressivas por causas físicas, por exemplo um acidente que causa imediato desequilíbrio hormonal no cérebro, por causas sociais (com reflexos emocionais) , como grandes e inesperadas perdas, contínuo e duradouro processo de dificuldades (estresse) que causam o mesmo desequilíbrio e, como aprendi na experiência de cristão pentecostal e conhecedor das astúcias do adversário, por causas espirituais, quando os demônios, geralmente se aproveitando das vulnerabilidades sociais já citadas e de confusões doutrinárias sobre espiritualidade, atuam sobre mentes fracas.

A versão Almeida Corrigida Revisada e Fiel ao Original – ACF diz, nos versículos 3 e 4 do capítulo 19 de Reis:

“O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo.”

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.”

Citei o versículo três porque entendo que o que ocorreu com Elias é que a mensagem de Jezabel transtornou sua visão espiritual. Alguém lhe falou, porém ele não ouviu, mas VIU o que ela disse (…o que vendo ele…)

Ora, Moisés também pediu a morte, Nm 11.15,  desejou não só estar morto, mas nunca ter vivido, Jo 3. 1-22; 7. 15-16, e Jonas, depois de fazer toda uma cidade se converter, pediu a Deus que lhe tirasse a vida, Jn 4. 3;8. Em nenhum destes casos diria eu que eles estavam em depressão porque não estavam. Também, já ouvi falarem dos púlpitos que Davi estava com depressão no Salmo 51 e outras passagens, onde o que ocorre é profundo arrependimento pelo pecado.

Agora, pasmem!! Já ouvi insinuarem que Jesus estava depressivo no Getsêmani. Pura, única e exclusivamente imaturidade espiritual e ausência de conhecimento bíblico autêntico.

Eu mesmo, em certo tempo de extrema dificuldade para mim e meus filhos cheguei a dizer a Deus que seria melhor que partisse, pois, além de deixar esse mundo de injustiças para estar com Ele, deixaria minha família amparada por uma pensão. E, acredite, não estava depressivo.

Elias, estava desanimado, angustiado e cheio de dúvidas. Ameaçado de morte, foge da terrível Jezabel e refugia-se no deserto, embaixo de um pé de zimbro, pedindo a morte.

Ele preferia ser morto por Deus, a ser entregue a uma ímpia. Elias, havia presenciado a morte, de muitos profetas. Não esperava, contudo, que sua vez chegaria. Afinal, ele era amigo de Deus, com muitas promessas a serem realizadas.

Em Filipenses 1.23, Paulo diz que tem “desejo de partir”. Partir aqui não é numa viagem missionária, é desejo de morrer. Acaso estaria ele em depressão?

Depois destes argumentos bíblicos, e partindo para a conclusão, quero explicar a razão de minha irresignação com o fato desta afirmativa a cerca de Elias  permear, constantemente, nossas lições.

Ocorre que tenho encontrado, em muitas igrejas por onde já passei, várias pessoas depressivas. O motivo é QUASE sempre de cunho emocional e fortalecido por um fundo espiritual, o qual geralmente ocorre pela má compreensão ou confusão doutrinária e as vezes acompanhada de uma ação demoníaca (utilizando-se da fragilidade emocional e cognitiva em relação à espiritualidade cristã).

Com a quase ausência de bom ensino doutrinário na maioria de nossos púlpitos, e não possuindo a medicina cura para a depressão, fica muito difícil para estas pessoas saírem dessa situação e estas chances diminuem quando uma delas escuta que Elias estava depressivo (Lembrando que a própria medicina diz que “depende da pessoa”). Ressalto que se a bíblia dissesse isso não recearia em dizer também, mas ela não diz.

Portanto, finalizando este extenso texto, quero “data vênia” solicitar sejam reanalisados os assuntos ventilados e, caso não esteja este servo equivocado, que não sejam mais publicados.

Seria pedir muito, mas gostaria que fosse analisado por todos os comentaristas que citaram, já numas três ou quatro lições, contando esta, que Elias teve depressão neste episódio.

Por último, caso os argumentos aqui vergastados não sejam julgados suficientes, sugiro que os comentaristas procurem uma clínica psiquiátrica e conheçam pessoas em depressão, que é algo totalmente diferente de alguém triste, abatido e desanimado por algum outro motivo.

 

Haga de Haroldo F. Haroldo de Sousa  – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.