Sobre a Ética Cristã – O Evangelho Produz Transformação no Caráter

integridad-etica-y-valoresPorque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras [Tito 2:11].

A ética de uma pessoa, sua produção intelectual exposta em suas escolhas, ações e reações, decorre do caráter que ela tem. Este, por sua vez, é o produto do temperamento + a personalidade.

Certa feita, ouvi um evangélico dizer que a conversão não altera o temperamento da pessoa. Outros dizem “eu sempre fui assim”, admitindo que sua personalidade não foi afetada pelo fato de tornar-se cristão.

Ora, não é assim. Talvez essas pessoas não tenham passado pelo novo nascimento (João 3:3-8 – Processo de arrependimento e conversão, mudança de direção, construção de um novo eu). Não se arrependeram do que foram até conhecer Cristo, se é que o conheceram. E vale ressaltar que não importa se você foi “bom” ou “mau”, é preciso se quebrantar diante de Deus, em arrependimento. Todos pecaram [Romanos 3:23]!

Explicando a grosso modo, tanto o temperamento, que é herdado dos pais, quanto a personalidade, que é o “amontoado” das escolhas que agregamos ao nosso intelecto, a nossa subjetividade, devem obrigatoriamente ser transformados pelo novo nascimento.

Em relação ao temperamento, ao nascermos de novo, a influência que passamos a trazer conosco não será mais a de nossos pais, mas do Espírito Santo [2 Coríntios 5:17], porquanto o amor de Deus está derramado por Ele em nosso coração [Rm 5.5].

Por sua vez, a personalidade, que na sua maioria se achará falha ao nos arrependermos, será corrigida e aperfeiçoada pela palavra de Deus, as sagradas escrituras [Tiago 1:21].

Sobre a personalidade, o apóstolo Pedro nos ensina: Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre [I Pe 1:23].

Assim, ao depararmos com Cristo e sua palavra todas as nossas certezas, nossos objetivos e tudo que “conhecíamos” até ali perde o sentido e começamos a construir um novo ser que é segundo às novas escolhas que lhe são propostas: Aprendei de mim [Mateus 11:29].

Portanto meu amigo leitor, ser cristão é nascer de novo do Espírito Santo e da Palavra. Sendo, portanto, um resultado óbvio o novo temperamento e a nova personalidade, os quais constituirão um caráter de filhos de Deus [Ef 5.1] a ser demonstrado nas escolhas subjetivas aplicadas à prática, demonstrando uma vida ética que é eficaz ao reconhecimento de todos [Provérbios 3:4 – Lucas 2:52].

Boa e significante parte da ação ensinadora da graça, na vida de quem de fato se arrependeu, está descrita nas palavras de Paulo aos Efésios, no capítulo 4, versículos 22 ao 32:

Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.

Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.

Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.

Não deis lugar ao diabo.

Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.

Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.

E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.
Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

O texto que lemos inicialmente, demonstra que a graça (favor de Deus sentido no coração arrependido) ensina a renunciar à impiedade e às paixões que conduzem loucamente esse mundo, bem como, conhecermos e vivermos uma vida sóbria, justa e completa, sendo este o único modo ético-cristão de viver.

Assim, compete a nós seguirmos firmemente o conselho de Cristo que nos manda “trabalhar pela comida permanece para a vida eterna” [João 6:27], ou seja, buscarmos o seu Espírito Santo, em oração [Mateus 7:7] e aprendamos dEle que é a palavra viva, examinando as escrituras. Isso nos proporcionará a produção da verdadeira ética cristã e de uma vida gratificante de viver em si mesma.

Haga de Haroldo


F. Haroldo de Sousa
– Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

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A (Não)Depressão de Elias (Texto enviado à Casa Publicadora das Assembleias de Deus)

EliasCOMENTÁRIO DE UM PSICÓLOGO EM MINHA PUBLICAÇÃO ORIGINAL (01/2013) : 

“Caro colega,e irmão:  Comungo do mesmo pensamento exposto acima acerca do profeta Elias. Sou Psicólogo clínico e professor da EBD. Jamais ensinarei que Elias esteve em depressão, pois não há dados suficientes nos textos bíblicos que apoiem tal ideia. Grato.”

 

Uma temática que vem permeando algumas lições de Escola Bíblica Dominical – EBD nos últimos anos, da qual humildemente (se é que há em mim alguma humildade) quero manifestar minha discordância, é a afirmação de que Elias estaria em depressão no evento do capítulo 19 de I Reis.

Inicialmente, falarei um pouco do que se conhece (ou se desconhece) sobre depressão e, depois, dos argumentos porque não acredito num quadro de depressão na vida de Elias.

 

DEPRESSÃO  

Clinicamente, a única afirmação exata sobre o tema é que não se sabe a causa, nem existe cura, mas em face de uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células e outros processos que ocorrem dentro das células nervosas, os quais também estão envolvidos, a medicina desenvolveu certos tratamentos para atenuar os efeitos e que podem até ajudar no desaparecimento da doença.

Todavia, não se sabe a causa e, consequentemente, não se tem a cura. Eles dizem que a cura depende apenas da pessoa.

Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão.

É verdade que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética.

A depressão não é simplesmente um momento de tristeza, algo normal para todas as pessoas. É um estado que realmente interfere no próprio organismo e nas relações do indivíduo com o trabalho, lazer e família.

Sintomas  mais comuns:

  Sentimentos persistentes de tristeza, angústia ou de vazio.

  Perda de interesse ou prazer nas atividades, incluindo sexo.

  Sentimentos de culpa, desesperança ou pessimismo.

  Irritabilidade ou perda de paciência.

  Cansaço, fadiga ou falta de energia.

  Dificuldades de concentração ou para lembra de pequenos detalhes.

  Dificuldade de tomar decisões, insegurança.

  Insônia, sono fragmentado ou sono não restaurador.

  Sonolência diurna.

  Excesso ou redução do apetite.

  Pensamentos sobre suicido.

  Dores persistentes que não melhoram com o tratamento. Incluindo dores de cabeça, pelo corpo e no estômago.

PORQUE DISCORDO DESTA ALEGAÇÃO DE QUE ELIAS TEVE DEPRESSÃO

Aqui, quero destacar que, além de estudar bastante o tema, pois também tive que aprender muito sobre o assunto para ajudar dependentes químicos, tenho experiências diretas com pessoas depressivas, em minha atividade profissional junto ao INSS, onde atendi, durante quatro anos, inúmeras pessoas com este problema.

Também, no período em que fui pastor de igreja em São Paulo, tive que tratar muito de perto com um caso de depressão profunda acompanhada de síndrome do pânico, no qual tive que levar a pessoa para morar em minha casa (ela voltou à vida normal), visto que verificava muitos erros da parte das pessoas que tentavam ajudar. Inclusive dos médicos (Não me aterei a explicar este ponto).

Quanto a Elias, é verdade que apresentou um, ou podemos considerar  até mais, dos sintomas da depressão, como desânimo e até o desejo de morrer, mas daí a afirmar que o mesmo estava em depressão é, para mim, dizer o que a bíblia não diz.

Na verdade, entendo que Elias e qualquer crente, seja ele membro ou pastor podem chegar a um quadro de depressão. A bíblia afirma que Elias era homem SUJEITO às mesmas emoções que nós, mas não acometido de nenhuma emoção pela qual possamos qualificá-lo como depressivo.

Na prática, as pessoas ficam depressivas por causas físicas, por exemplo um acidente que causa imediato desequilíbrio hormonal no cérebro, por causas sociais (com reflexos emocionais) , como grandes e inesperadas perdas, contínuo e duradouro processo de dificuldades (estresse) que causam o mesmo desequilíbrio e, como aprendi na experiência de cristão pentecostal e conhecedor das astúcias do adversário, por causas espirituais, quando os demônios, geralmente se aproveitando das vulnerabilidades sociais já citadas e de confusões doutrinárias sobre espiritualidade, atuam sobre mentes fracas.

A versão Almeida Corrigida Revisada e Fiel ao Original – ACF diz, nos versículos 3 e 4 do capítulo 19 de Reis:

“O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo.”

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.”

Citei o versículo três porque entendo que o que ocorreu com Elias é que a mensagem de Jezabel transtornou sua visão espiritual. Alguém lhe falou, porém ele não ouviu, mas VIU o que ela disse (…o que vendo ele…)

Ora, Moisés também pediu a morte, Nm 11.15,  desejou não só estar morto, mas nunca ter vivido, Jo 3. 1-22; 7. 15-16, e Jonas, depois de fazer toda uma cidade se converter, pediu a Deus que lhe tirasse a vida, Jn 4. 3;8. Em nenhum destes casos diria eu que eles estavam em depressão porque não estavam. Também, já ouvi falarem dos púlpitos que Davi estava com depressão no Salmo 51 e outras passagens, onde o que ocorre é profundo arrependimento pelo pecado.

Agora, pasmem!! Já ouvi insinuarem que Jesus estava depressivo no Getsêmani. Pura, única e exclusivamente imaturidade espiritual e ausência de conhecimento bíblico autêntico.

Eu mesmo, em certo tempo de extrema dificuldade para mim e meus filhos cheguei a dizer a Deus que seria melhor que partisse, pois, além de deixar esse mundo de injustiças para estar com Ele, deixaria minha família amparada por uma pensão. E, acredite, não estava depressivo.

Elias, estava desanimado, angustiado e cheio de dúvidas. Ameaçado de morte, foge da terrível Jezabel e refugia-se no deserto, embaixo de um pé de zimbro, pedindo a morte.

Ele preferia ser morto por Deus, a ser entregue a uma ímpia. Elias, havia presenciado a morte, de muitos profetas. Não esperava, contudo, que sua vez chegaria. Afinal, ele era amigo de Deus, com muitas promessas a serem realizadas.

Em Filipenses 1.23, Paulo diz que tem “desejo de partir”. Partir aqui não é numa viagem missionária, é desejo de morrer. Acaso estaria ele em depressão?

Depois destes argumentos bíblicos, e partindo para a conclusão, quero explicar a razão de minha irresignação com o fato desta afirmativa a cerca de Elias  permear, constantemente, nossas lições.

Ocorre que tenho encontrado, em muitas igrejas por onde já passei, várias pessoas depressivas. O motivo é QUASE sempre de cunho emocional e fortalecido por um fundo espiritual, o qual geralmente ocorre pela má compreensão ou confusão doutrinária e as vezes acompanhada de uma ação demoníaca (utilizando-se da fragilidade emocional e cognitiva em relação à espiritualidade cristã).

Com a quase ausência de bom ensino doutrinário na maioria de nossos púlpitos, e não possuindo a medicina cura para a depressão, fica muito difícil para estas pessoas saírem dessa situação e estas chances diminuem quando uma delas escuta que Elias estava depressivo (Lembrando que a própria medicina diz que “depende da pessoa”). Ressalto que se a bíblia dissesse isso não recearia em dizer também, mas ela não diz.

Portanto, finalizando este extenso texto, quero “data vênia” solicitar sejam reanalisados os assuntos ventilados e, caso não esteja este servo equivocado, que não sejam mais publicados.

Seria pedir muito, mas gostaria que fosse analisado por todos os comentaristas que citaram, já numas três ou quatro lições, contando esta, que Elias teve depressão neste episódio.

Por último, caso os argumentos aqui vergastados não sejam julgados suficientes, sugiro que os comentaristas procurem uma clínica psiquiátrica e conheçam pessoas em depressão, que é algo totalmente diferente de alguém triste, abatido e desanimado por algum outro motivo.

 

Haga de Haroldo F. Haroldo de Sousa  – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

Sobre a Sabedoria – Dois Direcionadores

_sterreich_austria_styria_steiermark_berg_berge_mountain_mountains-291280[…] para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória vos dê um espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.       Efésios 1.7

Percebe-se que Paulo demonstrava verdadeira preocupação e intenso desejo de que, aos cristãos, Deus desse um espírito de sabedoria e revelação dEle mesmo.

No entanto, podemos notar facilmente que muitos não demonstram desejo interior de crescer em conhecimento.

Será que essa sabedoria que vem por revelação ao espírito humano ocorrerá por acaso?

Não leem a bíblia, nem um livro sobre a mesma. Não ouvem pregações (apesar de tantas disponíveis) e não demonstram o mínimo valor por um estudo bíblico na igreja. Muito menos sobre o conhecimento comum e geral das coisas que nos rodeiam.

Como tais pessoas superarão a conformidade com o mundo [Rm 12:2], da qual também falou Paulo à igreja de Roma,  se não conhecem o caminho que devem seguir e não conseguem distinguir “o mundo”, sistema rejeitado por Deus, daquilo que deve aplicar ao seu cotidiano?

E o que dizer de obreiros que se quer capacitam-se para trazer uma mensagem quando estão escalados para tal? Isso não seria grande coisa, mas o mínimo, pois o obreiro chamado por Deus tem o papel de edificar a igreja [Efésios 4:11], o que significa causar nela o impacto que a faça diferente do mundo.

Dadas tais considerações, acredito que devamos melhorar nosso foco. Quer sejamos obreiros, quer não, devemos desejar e buscar compreensão de Deus para todos os aspectos de nossa vida. Isso é desfrutar do poder dEle em nós e em prol dos que nos rodeiam.

O que mais me maravilha é que o Senhor dá sabedoria a todos que a buscam [Tiago 1:5]. Porém, quanto ao conhecimento, é a pessoa quem precisa adquirir e, dele, Deus extrai a sabedoria, pela revelação no espírito humano. 

Muitos pensam que “Deus colocou um chip” com toda a sabedoria no cérebro de Salomão e ele acordou sábio. Vejamos o que ele diz disso: “E apliquei o meu coração a esquadrinhar e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu.” [Eclesiastes 1:13]

Nos meus dias de caminhada com Deus, tenho visto como o Senhor dá sabedoria a homens que tiveram pouca ou muita oportunidade de receber instrução. Todavia, nunca vi um sábio que fosse relapso em buscar conhecimento, que não fosse esforçado em compreender as coisas e, essencialmente, que não reconhecesse sua intensa necessidade de aprender.

Por outro lado, tenho visto homens soberbos, tanto doutos, quanto de pouca escolaridade, e que acham sempre que sabem, e que as coisas são do jeito que ele pensa e que não precisa “investigar” a si mesmo. A estes, Paulo diz que “quem cuida saber alguma coisa, ainda não aprendeu como convém saber” [ 1 Corintios 8:2].

De tudo que acabamos de ler, podemos concluir que nossa atitude como servos, e no Reino de Deus, deve passar por dois  indispensáveis direcionadores: um desejo intenso e contínuo, expresso na busca pelo conhecimento e uma inarredável humildade em admitir que o conhecimento que adquirimos precisa estar humilhado debaixo de nossa limitação diante daquele que é o que detém e pode nos revelar a verdadeira sabedoria, a qual não é terrena, mas vem do alto [Tiago 3:17].

Considera o que digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo. [2 Timóteo 2:7]

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa –Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.