Dois Pregos

cr-arte-marcus-levine-01As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas pelo único Pastor. Eclesiastes 12:11

Todos os bons pregadores que nos têm dado pão do céu, a palavra, e forte testemunho de vida com Deus, têm sido repetitivos em firmar, além da excelência e da imprescindibilidade da palavra, dois pregos essenciais à sustentação de uma vida espiritual bem firmada e poderosa em Deus:

a) A indispensabilidade de uma vida de oração;

b) A frequência à Escola Bíblica Dominical.

Mas, é assustador verificar que a imensa maioria dos crentes desprezam o que o Senhor fala por meio de seus profetas [II Crônicas 20:20], achando que vai se cumprir a parte da mensagem que fala da benção, sem passar pelo caminho da obediência à orientação que o Senhor entrega por meio desses oráculos.

Tais cristãos tapam seus ouvidos a essa parte da mensagem que é martelada [Jeremias 23:29] congresso após congresso, evento após evento. Isso, para não falar dos mensageiros locais que têm menos atenção ainda [Lucas 4:24].

Ao “planejarem” suas vidas congregacionais, ou seja, que cultos frequentar, automaticamente, desprezam e desconsideram os momentos de oração e de estudo da palavra, dentre eles o de mais apelo nos lábios de todo e qualquer homem ou mulher de Deus que nos são enviados com extraordinárias mensagens: a Escola Bíblica Dominical.

Não meus irmãos, não seja assim!

Se não atentarmos aos conselhos de Deus, saídos da boca de sues profetas, como prosperaremos nessa jornada que é espiritual, sendo, pois, que nossas armas não podem ser carnais, mas espirituais e poderosas em Deus [2 Corìtios 10:4-5]?

Se rejeitarmos à palavra que o Senhor fala por meio de seus profetas, os quais Ele levantou para nossa edificação [Efésios 4:11], jamais seremos edifício bem firmado para morada do Senhor.

Assim, cabe a nós atentarmos mais diligentemente a esse insistente chamado para fixarmos os dois pregos de firme sustentação à nossa casa espiritual, comparecendo à próxima reunião de oração, bem como preparando o coração para a próxima Escola Bíblica Dominical e à ela não faltarmos.

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia. 

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A (Não)Depressão de Elias (Texto enviado à Casa Publicadora das Assembleias de Deus)

EliasCOMENTÁRIO DE UM PSICÓLOGO EM MINHA PUBLICAÇÃO ORIGINAL (01/2013) : 

“Caro colega,e irmão:  Comungo do mesmo pensamento exposto acima acerca do profeta Elias. Sou Psicólogo clínico e professor da EBD. Jamais ensinarei que Elias esteve em depressão, pois não há dados suficientes nos textos bíblicos que apoiem tal ideia. Grato.”

 

Uma temática que vem permeando algumas lições de Escola Bíblica Dominical – EBD nos últimos anos, da qual humildemente (se é que há em mim alguma humildade) quero manifestar minha discordância, é a afirmação de que Elias estaria em depressão no evento do capítulo 19 de I Reis.

Inicialmente, falarei um pouco do que se conhece (ou se desconhece) sobre depressão e, depois, dos argumentos porque não acredito num quadro de depressão na vida de Elias.

 

DEPRESSÃO  

Clinicamente, a única afirmação exata sobre o tema é que não se sabe a causa, nem existe cura, mas em face de uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células e outros processos que ocorrem dentro das células nervosas, os quais também estão envolvidos, a medicina desenvolveu certos tratamentos para atenuar os efeitos e que podem até ajudar no desaparecimento da doença.

Todavia, não se sabe a causa e, consequentemente, não se tem a cura. Eles dizem que a cura depende apenas da pessoa.

Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão.

É verdade que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética.

A depressão não é simplesmente um momento de tristeza, algo normal para todas as pessoas. É um estado que realmente interfere no próprio organismo e nas relações do indivíduo com o trabalho, lazer e família.

Sintomas  mais comuns:

  Sentimentos persistentes de tristeza, angústia ou de vazio.

  Perda de interesse ou prazer nas atividades, incluindo sexo.

  Sentimentos de culpa, desesperança ou pessimismo.

  Irritabilidade ou perda de paciência.

  Cansaço, fadiga ou falta de energia.

  Dificuldades de concentração ou para lembra de pequenos detalhes.

  Dificuldade de tomar decisões, insegurança.

  Insônia, sono fragmentado ou sono não restaurador.

  Sonolência diurna.

  Excesso ou redução do apetite.

  Pensamentos sobre suicido.

  Dores persistentes que não melhoram com o tratamento. Incluindo dores de cabeça, pelo corpo e no estômago.

PORQUE DISCORDO DESTA ALEGAÇÃO DE QUE ELIAS TEVE DEPRESSÃO

Aqui, quero destacar que, além de estudar bastante o tema, pois também tive que aprender muito sobre o assunto para ajudar dependentes químicos, tenho experiências diretas com pessoas depressivas, em minha atividade profissional junto ao INSS, onde atendi, durante quatro anos, inúmeras pessoas com este problema.

Também, no período em que fui pastor de igreja em São Paulo, tive que tratar muito de perto com um caso de depressão profunda acompanhada de síndrome do pânico, no qual tive que levar a pessoa para morar em minha casa (ela voltou à vida normal), visto que verificava muitos erros da parte das pessoas que tentavam ajudar. Inclusive dos médicos (Não me aterei a explicar este ponto).

Quanto a Elias, é verdade que apresentou um, ou podemos considerar  até mais, dos sintomas da depressão, como desânimo e até o desejo de morrer, mas daí a afirmar que o mesmo estava em depressão é, para mim, dizer o que a bíblia não diz.

Na verdade, entendo que Elias e qualquer crente, seja ele membro ou pastor podem chegar a um quadro de depressão. A bíblia afirma que Elias era homem SUJEITO às mesmas emoções que nós, mas não acometido de nenhuma emoção pela qual possamos qualificá-lo como depressivo.

Na prática, as pessoas ficam depressivas por causas físicas, por exemplo um acidente que causa imediato desequilíbrio hormonal no cérebro, por causas sociais (com reflexos emocionais) , como grandes e inesperadas perdas, contínuo e duradouro processo de dificuldades (estresse) que causam o mesmo desequilíbrio e, como aprendi na experiência de cristão pentecostal e conhecedor das astúcias do adversário, por causas espirituais, quando os demônios, geralmente se aproveitando das vulnerabilidades sociais já citadas e de confusões doutrinárias sobre espiritualidade, atuam sobre mentes fracas.

A versão Almeida Corrigida Revisada e Fiel ao Original – ACF diz, nos versículos 3 e 4 do capítulo 19 de Reis:

“O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo.”

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.”

Citei o versículo três porque entendo que o que ocorreu com Elias é que a mensagem de Jezabel transtornou sua visão espiritual. Alguém lhe falou, porém ele não ouviu, mas VIU o que ela disse (…o que vendo ele…)

Ora, Moisés também pediu a morte, Nm 11.15,  desejou não só estar morto, mas nunca ter vivido, Jo 3. 1-22; 7. 15-16, e Jonas, depois de fazer toda uma cidade se converter, pediu a Deus que lhe tirasse a vida, Jn 4. 3;8. Em nenhum destes casos diria eu que eles estavam em depressão porque não estavam. Também, já ouvi falarem dos púlpitos que Davi estava com depressão no Salmo 51 e outras passagens, onde o que ocorre é profundo arrependimento pelo pecado.

Agora, pasmem!! Já ouvi insinuarem que Jesus estava depressivo no Getsêmani. Pura, única e exclusivamente imaturidade espiritual e ausência de conhecimento bíblico autêntico.

Eu mesmo, em certo tempo de extrema dificuldade para mim e meus filhos cheguei a dizer a Deus que seria melhor que partisse, pois, além de deixar esse mundo de injustiças para estar com Ele, deixaria minha família amparada por uma pensão. E, acredite, não estava depressivo.

Elias, estava desanimado, angustiado e cheio de dúvidas. Ameaçado de morte, foge da terrível Jezabel e refugia-se no deserto, embaixo de um pé de zimbro, pedindo a morte.

Ele preferia ser morto por Deus, a ser entregue a uma ímpia. Elias, havia presenciado a morte, de muitos profetas. Não esperava, contudo, que sua vez chegaria. Afinal, ele era amigo de Deus, com muitas promessas a serem realizadas.

Em Filipenses 1.23, Paulo diz que tem “desejo de partir”. Partir aqui não é numa viagem missionária, é desejo de morrer. Acaso estaria ele em depressão?

Depois destes argumentos bíblicos, e partindo para a conclusão, quero explicar a razão de minha irresignação com o fato desta afirmativa a cerca de Elias  permear, constantemente, nossas lições.

Ocorre que tenho encontrado, em muitas igrejas por onde já passei, várias pessoas depressivas. O motivo é QUASE sempre de cunho emocional e fortalecido por um fundo espiritual, o qual geralmente ocorre pela má compreensão ou confusão doutrinária e as vezes acompanhada de uma ação demoníaca (utilizando-se da fragilidade emocional e cognitiva em relação à espiritualidade cristã).

Com a quase ausência de bom ensino doutrinário na maioria de nossos púlpitos, e não possuindo a medicina cura para a depressão, fica muito difícil para estas pessoas saírem dessa situação e estas chances diminuem quando uma delas escuta que Elias estava depressivo (Lembrando que a própria medicina diz que “depende da pessoa”). Ressalto que se a bíblia dissesse isso não recearia em dizer também, mas ela não diz.

Portanto, finalizando este extenso texto, quero “data vênia” solicitar sejam reanalisados os assuntos ventilados e, caso não esteja este servo equivocado, que não sejam mais publicados.

Seria pedir muito, mas gostaria que fosse analisado por todos os comentaristas que citaram, já numas três ou quatro lições, contando esta, que Elias teve depressão neste episódio.

Por último, caso os argumentos aqui vergastados não sejam julgados suficientes, sugiro que os comentaristas procurem uma clínica psiquiátrica e conheçam pessoas em depressão, que é algo totalmente diferente de alguém triste, abatido e desanimado por algum outro motivo.

 

Haga de Haroldo F. Haroldo de Sousa  – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.