Falemos, pois, de Melquisedeque, Rei de Justiça e paz

Francisco Haroldo de Sousa
Servo, de Deus, Presbítero, professor da EBD da
Assembleia de Deus em Santo Ângelo – RS e advogado. 

 

melquisedequePara compreendermos o sacerdócio desse homem que prefigurou o de Cristo, precisamos conhecer algumas coisas sobre sacerdotes na bíblia.

Uma passagem reveladora sobre os “sacerdócios”, em todo o lapso temporal bíblico, é Lucas 10. 30-35, a famosa Parábola do Samaritano.

Nesta parábola, além das muitas outras lições que nos fornece, Jesus contextualiza a história do resgate do ser humano perdido (o homem que “desce” da benção – Jerusalém – à maldição – Jericó) em três momentos distintos, sendo que em dois deles sem resultado.

O primeiro a passar pelo homem foi um “certo sacerdote”, o segundo “um levita” e, o terceiro, um samaritano (indiscutível figura de Jesus).

Ao dizer um “certo” sacerdote, Jesus estava se referindo a um sacerdote não aarônico. Por isso não diz “um sacerdote”. Este soaria aos judeus como um sacerdote do templo de Israel, mas aquele não.

Assim, nesta parábola Jesus revela três “momentos sacerdóticos”: um antes da lei (certo sacerdote), o da lei (um levita) e o seu.

Bem, você já deve estar imaginando: até onde vai chegar essa heresia? (Risos meus)

Paulo também “divide” a história do relacionamento do homem com Deus em três “momentos” (Rm 5.13-14): De Adão até Moisés, de Moisés até Jesus, sendo este o terceiro período, no qual vivemos.

Bem, mas me propus a falar de Melquisedeque e o que tudo isso tem a ver com ele?

É que, quando pesquisamos sobre Melquisedeque, pela má leitura de alguns versículos muitos comentaristas disparam em explicações místicas, dizendo que este sacerdote era Deus, Jesus, um anjo, etc.

Nada disso faz sentido. A bíblia, como em tudo que Deus pretende nos revelar sobre ela, explica a “origem” de tal sacerdócio ou qual a “ordem” sacerdotal.

Hebreus 7.15-17 diz:

“E muito mais manifesto é ainda, se à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote, que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível.”

“Porque ele assim testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.”

Ora, todo o contexto deste capítulo gira em torno da explicação de que Cristo é sacerdote não segundo a ordem levítica, ou seja, pelo simples fato de ser descendente de Arão, mas, à semelhança de Melquisedeque, “segundo a virtude da vida incorruptível”.

Fique claro aqui que o sacerdócio de Cristo é da “ordem” de Melquisedeque, mas superior, pois “nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus – Cristo”.

A bíblia mostra que haviam outros sacerdotes que eram homens de Deus, como no caso de Jetro, sogro de Moisés, que era sacerdote em Midiã (Ex 3.1).

A bíblia revela homens oferecendo sacrifícios e intercedendo a Deus por si mesmo e pelos outros, como Abraão (Gn 20.17), Jó (Jó 1.5), etc. No modo anterior à lei, isso era “sacerdócio”, sendo que, Melquisedeque, nessa mesma “ordem”, rei em Salem (cidade da paz) e obtendo testemunho de que era justo, foi “por interpretação rei de paz e de justiça” (Hb 7.2).

Outro exemplo de sacerdote que, pelas qualidades que a bíblia relata, foi de Deus, e não pagão, é Jetro. Ele era sacerdote na “Terra de Midiã”. Este é era o quarto filho de Abraão com Quetura, sua segunda esposa. Lembre-se que Mirian e Arão erraram feio quando acusaram Moisés de ser casado com alguém que não era da descendência de Abraão.

E por que acredito que Jetro era sacerdote de Deus? Porque, era da mesma “ordem” de Melquisedeque, que é a de Cristo: “segundo a virtude da vida incorruptível”.

Vejamos o que o livro de Êxodo revela sobre a vida desse sacerdote:

2.1; 3.1; 18.1-12 – Sacerdote e homem religioso;

Especialmente 18.12: Então Jetro, o sogro de Moisés, tomou holocausto e sacrifícios para Deus; e veio Arão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moisés diante de Deus.

2.16; 17.1-7 – Homem de família;

2.16-3.1 – Homem abastado e íntegro;

2.18; 18.1-12 – Homem observador;

2.20 – Homem hospitaleiro;

2.20; 18.1-12 – Homem apreciativo e compreensivo;

2.21; 18.1-12 – Um bom homem de negócios;

4.18; 18.1-12 – Um homem que amava a paz;

18.1-12 – Um homem tolerante e generoso;

18.13-27 – Um homem sábio.

Portanto irmãos, entendo que haviam sacerdócios anteriores à lei e que sejam estas características, de Jetro, além daquelas relatadas sobre Melquisedeque, algumas das características de um sacerdote “segundo a ordem de Melquisedeque”, o qual conquista seu sacerdócio “segundo a virtude da vida incorruptível” (Hb 7.15).

Há quem tente atribuir a Melquisedeque divindade, alegando que ele é o próprio Cristo, através de uma uma teofania, visto que “seria” chamado rei de justiça e rei de paz e que isso não se poderia atribuir a homens.

Mas no versículo 6, de Hebreus7, está escrito que sua genealogia “não é contada entre eles e não que ela não exista.

Ora, a bíblia não está dizendo que ele é, mas que, por interpretação, é também, rei de justiça e rei de paz, sendo este último título decorrente da cidade onde reinava, Salém (Paz) e o primeiro (Rei de justiça) decorrente da virtude de uma vida incorruptível (no nível humano, óbvio).

Já, quanto a Jesus, este foi muito maior que Melquisedeque: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus.”

Portanto, de modo algum creio num Melquisedeque-Cristo-Teofânico, mas em um homem que, ao seu tempo, foi integro e justo de modo a alcançar o sacerdócio, à semelhança de Jetro, para servir e oferecer sacrifícios a Deus

Busquemos, pois, como sacerdotes reais, um caráter tal qual o de Melquisedeque, para que sejamos de justiça e paz, pois sem aquela não existe essa. Amém!

Haga de Haroldo

F. Haroldo de Sousa – Procurando ser achado Servo de Deus, Estudante das Escrituras, Coordenador e Professor da Escola Bíblica Dominical, Orientador no Curso de Teologia do IBE, Evangelista, Leitor dos Pensadores Clássicos e Contemporâneos,  Advogado, Pós-graduando em Filosofia.

 

Referências:

Pr. Luciano Subirá – Mensagem o Espírito Santo em nós (23:48 a 35:00)

https://www.youtube.com/watch?v=OoiYnrAXiTM

Bíblia de Estudo Dake – Dez maravilhosas características de Jetro, pg 165.

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